
É Bom Mas é Ruim
PAIXÕES - AMORES E DESAMORES QUE MUDARAM A HISTÓRIA
Rosa Monteiro
Ediouro, 189 páginas, R$ 35
Se o amor é mesmo o motor do mundo, como diz a sabedoria popular, então estamos em um veículo completamente desgovernado. Pelo menos é essa a sensação que fica depois de terminada a leitura do novo livro da jornalista e escritora espanhola Rosa Montero, uma compilação de textos publicados em 1997 e 1998 no jornal El Pais. Apesar do subtítulo que o livro ganhou na tradução para o português, Paixões não fala de casais que mudaram o curso da história, mas da história íntima de casais célebres. Há desde os clássicos, como Marco Antônio e Cleópatra, até os hollywoodianos Liz Taylor e Richard Burton. Para descrever a vida de 18 deles, Rosa Montero vasculhou todo tipo de material biográfico e, na maior parte das vezes, encontrou brigas, desilusões, sofrimento e desencontros. "Vista de perto, a maioria das mais conhecidas histórias de amor é atroz", escreveu no prólogo. Uma prova de que, quando o assunto é vida íntima, não há importância histórica que salve um casal das tragédias do dia-a-dia.
John Lennon e Yoko Ono
Yoko era uma artista plástica famosa apenas por seu oportunismo. John era um astro de sucesso mundial, deprimido e dependente de drogas. Juntos, os 2 viviam mergulhados em crises de depressão e cultos de bruxaria. Suas famosas campanhas pela paz – ações tão radicais quanto aparecer nus na capa de um disco — maquiavam uma convivência turbulenta. John chegou a largá-la, mas os 2 acabaram voltando e ficaram juntos até a morte dele.
Oscar Wilde e Alfred Douglas
Quando conheceu Alfred Douglas, Wilde era um escritor famoso em toda Europa. Seu sucesso chamou a atenção do rapaz, um garoto ambicioso de 21 anos, disposto a exibir Wilde como troféu nas rodas intelectuais. A vida juntos logo se tornou um inferno. O escritor tinha completa adoração por ele, que lhe extorquia dinheiro, o maltratava publicamente e o incentivou a abrir um processo que o levaria a prisão por 2 anos.
Lewis Carrol e Alice Liddel
Carrol era um professor de matemática feio, conservador e apaixonado por Alice — uma garota de 10 anos de idade, filha de um de seus colegas de Oxford. Para ficar perto dela, acompanhava-a em passeios diurnos (em um deles, teria contado a história que, mais tarde, se tornou mundialmente famosa). Alguns biógrafos dizem que ele chegou a pedir a mão da menina em casamento (na época ele tinha 31 anos e ela, 11), o que enfureceu a mãe e os afastou definitivamente.