
A sabedoria e os conhecimentos dos povos algumas vezes parecem ridículos. Os maias, por exemplo, pensavam que o mundo era o dorso de um imenso crocodilo. Já os chineses pensavam que certas pedras tinham o poder mágico de atrair outras. Os sumérios, que o fígado era uma espécie de espelho do organismo, denunciando suas doenças. Apesar das aparências, porém, essa ciência estava fortemente ligada a uma enorme quantidade de técnicas práticas e também às observações de muitas gerações.
Assim, o conhecimento dos antigos foi uma poderosa força centralizadora, permitindo-lhes realizar proezas que hoje provocam admiração. Principalmente porque, até um passado recente, a história da ciência encantava se demais com o pensamento dos gregos - muito próximo do pensamento moderno europeu - e tratava o resto do mundo com certo desprezo o atualmente se reconhece que isso é mero preconceito: há muitas formas de explicar o mundo e de absorver informações importantes a seu respeito. O exemplo das pedras mágicas chinesas é interessante porque, usadas a princípio para ler a sorte das pessoas, acabaram dando origem à bússola.
O livro do historiador inglês Colin Ronan, colaborador durante muitos anos da Enciclopédia Britânica, tem a virtude de cobrir a produção científica de um grande número de civilizações - como a chinesa, hindu, árabes e dos povos pré-colombianos da América. Importante também é um capítulo dedicado à ciência medieval, normalmente negligenciada pela historiografia. A descrição é simples, rápida e de fácil consulta.
Em alguns casos, o autor repete os raciocínios preconceituosa que procura superar. Chega a dizer, por exemplo, que os egípcios não possuíam " exatamente " uma engenharia. Prefere dizer que eles tinham um " instinto " para ela. E que a ciência grega era totalmente isenta de misticismo - um exagero que a revisão técnica da editora corrige em nota de pé de página. Mas são exceções. Tudo somado, os quatro volumes da obra de Ronan, dos quais 3 já nas livrarias, são uma grande síntese da história da ciência, mostrando suas principais linhas de desenvolvimento e as influências de uma sobre outras. São também uma instigante incursão ao universo das idéias e dos homens que as produziram.