Bruno Garattoni é editor da Super. Roda o mundo atrás das últimas novidades, mas não dispensa um passeio na Santa Ifigênia, rua preferida dos geeks em São Paulo. Em Re:Bit, ele comenta as febres do mundo tech
É isso aí, amigos: dois meses após o lançamento do HTC G1, o primeiro - e polêmico - celular equipado com o sistema operacional do Google, pintou mais um aparelho. É o Agora Pro, da marca australiana Koogan (hã?). Ele tem internet 3G, localizador GPS, tela touchscreen de 2,5 polegadas, câmera de 2 megapixels e um tecladinho bem decente, que lembra o Samsung Blackjack. Por outro lado, não tem Wi-Fi nem memória embutida - usa cartão microSD de até 16 gigas.
Já desbloqueado, o Agora Pro vai custar o equivalente a US$ 250 - e, por uma taxa de US$ 40, os caras prometem entregar no Brasil. Ou seja: somando impostos e tudo mais, ele chegaria por uns R$ 1200 (bem menos que os R$ 2000 que o HTC G1 chega a custar no mercado negro). Mas sei lá... eu não compraria não.
As transmissões de TV digital acabam de completar um ano no Brasil. E, como todo mundo sabe, a coisa não decolou: apenas 150 mil residências aderiram ao novo sistema, o que dá 0,16% da base instalada de TVs no país. Um nada. As emissoras transmitem pouco em alta definição, e várias delas até regrediram (programas que eram gravados em HD voltaram a ser feitos com câmeras convencionais). A interatividade ainda é um sonho distante. E em 2009, com a alta do dólar e a crise econômica, é que a coisa não vai andar mesmo. E agora? E agora acho que sei como dar um jeito na situação. Olha só:
1. Conversor digital obrigatório. Muita gente ainda vai comprar uma televisão de cristal líquido - com o tempo, ela vai substituir todas as telas de tubo. A solução é obrigar os fabricantes a incluírem o sintonizador digital nessas TVs (com o custo adicional, de R$ 200, compensado por uma redução nos impostos). E pronto: a transição tecnológica ocorre naturalmente, e fica garantido o mercado do sistema digital. O que resolveria a segunda parte da equação...
2. Metas para as emissoras de TV. Elas dizem que falta "demanda". Na verdade, é uma questão de dinheiro: as emissoras não ganham nada com a TV digital, e precisam gastar com novas câmeras e equipamentos. Logo, só vão investir quando forem forçadas a isso. Basta lembrar que a televisão em cores demorou nove anos para emplacar no país - só decolou depois que, em 1971, o governo obrigou as redes a se atualizarem. Como os canais de televisão são um bem público, é justo estipular metas: a cada ano, as emissoras seriam obrigadas a aumentar a porcentagem de programas transmitidos em alta definição. Não é tão difícil assim.
3. Vamos esquecer a interatividade. A TV digital não tem canal de retorno, ou seja: o televisor só consegue receber dados, e não enviar. Isso significa que não dá para navegar na internet - a menos que você tenha uma conexão tradicional. E se você tem essa conexão na sua casa, porque não navegar com um computador de verdade? Cada vez mais gente está tendo acesso a ele, que já é o eletrodoméstico mais vendido no país (e pode ser comprado por R$ 600, menos do que uma TV). Esqueça a idéia de internet pela televisão. Não deu certo em nenhum lugar do mundo. E só atrasa a nossa TV digital.
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Fazendo essas três coisas, e tendo um pouco de calma (quando o DVD foi lançado, também demorou uns 4 ou 5 anos para decolar), a televisão digital tem tudo pra dar certo no nosso país. Concordam?
Demorou uma eternidade, mas chegou. Hoje, quase 2 anos após a apresentação do iPhone, a Nokia finalmente mostrou sua resposta: o N97, um telefone híbrido que junta a tela touchscreen com um teclado "de verdade". Saca só.
O bacana: o teclado e o acabamento são excelentes, a câmera idem (5 megapixels), e a capacidade é show - nada menos que 32 gigabytes, que podem ser expandidos até 48 GB com um cartão de memória. Isso é o triplo da capacidade do iPhone. E parece que ele tem um GPS inteligente, que exibe propaganda informações relevantes conforme a localização do usuário.
O ruim: a tela não é multitoque, não entende gestos, e não é tão sensível quanto a do iPhone (como ela é do tipo touchscreen "mecânico", você precisa apertar com mais força). E o navegador é meio tosco. Aliás, toda a interface do N97 é meio tosca se comparada à do iPhone. Veja no vídeo aí de cima.
Em suma: o Nokia N97 não é tão refinado, tão elegante nem tão fácil de usar quanto o celular da Apple. Eu não daria um pra minha namorada. Mas talvez comprasse um pra mim mesmo - apesar da tela e da interface ruins, tem recursos que compensam. Só existe um problema: é bem provável que, em janeiro, Steve Jobs apareça com a próxima geração do iPhone. Aí já viu, né...
Você usa o navegador Google Chrome? A maioria das pessoas já desencanou dele - hoje, três meses após seu lançamento, o programa tem ínfimos 0,7% do mercado. Mas, como tenho amigos que continuam rodando o Chrome, achei importante contar uma coisa. Você sabia que ele espiona a sua navegação na internet? É isso mesmo: tudo o que você digita na barra de endereços do Chrome é enviado, na hora, para o Google - inclusive os nomes de todos os sites que você acessa.
Veja só como a coisa funciona. Nos demais navegadores, tipo Firefox e Explorer, existe um campo para você digitar os endereços e outro para fazer buscas. Só que no Chrome, esses dois campos são unificados. Quando você quer visitar um site qualquer, e digita o endereço dele, o software interpreta essa ação como se fosse uma tentativa de busca - e manda as informações para o Google.
Pense bem... o Google já lê os seus e-mails, e tem um histórico completo das suas pesquisas. Ele sabe o que você vê no YouTube, e escreve no Blogger. Agora, você vai deixar que ele grave toda a sua navegação, mesmo em sites/serviços que nada têm a ver com o Google? Isso significaria o fim da privacidade na rede, e pode ter consequências graves. Para o bem da internet, e para o seu próprio bem, faça o que tenho dito desde o início. Google Chrome? Não, obrigado.