Para salvar o planeta, será preciso assumir responsabilidades, mudar hábitos, transformar o cotidiano. É sobre isso que os jornalistas Mônica Nunes, Thiago Carrapatoso, Thays Prado e Roberta Ávila, do site Planeta Sustentável, falam neste blog. Outros já contaram um pouco essa história por aqui também: Daniela Silva, Isabel Braga, Danilo Romeiro e Érica Georgino
Nós já mostramos que dá para fazer arte ou até ganhar ingressos com as sacolas plásticas. Mas que tal fazer sacolas plásticas com as sacolas plásticas? Ficou confuso? É muito simples.
O site PlasticBagBag fez um passo a passo de como transformar as suas sacolinhas em uma outra, muito mais moderna, útil e resistente do que as originais. Aliás, não é transformar, mas costurar.
Por meio de técnicas de crochê, o passo a passo mostra como dobrar, cortar e criar uma espécie de novelo só com as sacolinhas. Depois de ter a linha pronta, é só aprender a como fazer o crochê e começar a costurar.
Além disso, você pode conferir uma lista de links que mostram como a técnica é utilizada para fazer diversos utensílios.
E se você não sabe costurar, não tem problema. Já estava na hora de você aprender mesmo. No site de vídeos YouTube, há uma lista de gravações que ensinam como dar o ponto no nó.
Parece um bordão que minha avó diria, mas o crochê pode preservar o meio ambiente.
Dizem - só dizem - que a água potável acabará no mundo. Por causa disso, algumas soluções estão pipocando entre as grandes novidades deste ano. A mais recente é a bicicleta que filtra água enquanto se pedala.
Vencedora do prêmio West Coast Green, o Aquaduct "transporta, filtra e armazena água" enquanto você faz o trajeto de sua casa para o trabalho. O tanque tem espaço para até 8 litros do líquido, o que pode ser destinado ao consumo de uma família inteira. Se coloca a água imprópria em um compartimento ligado a outro com filtros. Enquanto se pedala, o líquido é puxado para ser filtrado e jogado no reservatório limpo. Simples, fácil e prático.
De acordo com a Organização Mundial de Saúde, cerca de 1,1 bilhão de pessoas do mundo não tem acesso à água potável. A criação, porém, embora tenha um belo design, não é a solução para todos os problemas. Para os países em desenvolvimento e que precisam mais de uma invenção como essa, o Aquaduct não é muito útil. Seu custo, manutenção e durabilidade tornam o produto inviável. Mas, de qualquer forma, é um alerta para esse grande problema que poderá assolar a humanidade.
A água é o próximo petróleo.
A televisão exerce grande influência na vida das crianças na sociedade atual. Uma pesquisa, chamada “Playground Digital” e realizada em 2007 com 7 mil jovens de 12 países, mostrou que cerca de 88% dos entrevistados disseram realmente se divertir com a televisão. E a preponderância do aparelho nos lares é praticamente unânime: 72% o possue na sala e 64% no próprio quarto da criança. Ou seja, a televisão está disponível a toda hora, a todo momento, inclusive na hora de dormir.
Esses jovens são bombardeados com mensagens midiáticas que, em muitas vezes, são difícieis de serem decodificadas. Para se ter uma idéia, de acordo com o 2º Fórum Criança e Consumo, as crianças brasileiras ficam, em médica, de 3 a 4 horas por dia em frente à televisão. Se for considerar somente as da periferia, esse número chega a 8 horas. Antes mesmo delas aprenderem o abecedário, esses jovens já foram expostos a 5 ou 6 mil horas de programação televisiva.
O que fazer, então, enquanto este tipo de mensagem - e publicidade - não é regularizada? Existe nos EUA uma organização que pretende resolver o problema pela tangente. Se não conseguimos lutar contra o inimigo, que nos juntamos a ele. E é isso que o Just Think tenta fazer. Como as mensagens midiáticas são praticamente impossíveis de se impedir, o jeito encontrado foi educar os jovens a entendê-las e até a construí-las.
Dois ônibus escolares (daqueles amarelos, estilo norte-americano), equipados com diversos aparelhos de edição e captura de vídeo, passam pelas escolas para ensinar essas crianças sobre as imagens da mídia. Os jovens de 8 a 18 anos são convidados a aprender como essas imagens são gravadas e editadas para manter uma linha de raciocínio próprias e transmitir ao receptor uma determinada idéia. O objetivo é mostrar por meio da construção como as mensagens são transmitidas por esse meio e como elas podem ser interpretadas. Se as letras servem para sanar o analfabetismo, o Just Think quer sanar o analfabetismo imagético.
Lawrence Lessig, em seu livro “Free Culture” (cultura livre, em tradução, ops!, livre), entrevistou a diretora-executiva do Centro de Comunicação Annenberg da Universidade da Califórnia, Elizabeth Daley. Na obra, Daley comenta: “Na minha perspectiva, a mais importante barreira digital não é o acesso a uma caixa. É a habilidade de capacitar as pessoas na linguagem que a caixa trabalha. De outra maneira somente pouquíssimas pessoas poderão escrever com esta linguagem, e nós todos seremos reduzidos a ser só leitores”.
E por sermos apenas leitores que as mídias podem ser nocivas a nosso bem-estar. Desde sua fundação, em 2005, o Just Think conseguiu capacitar cerca de 7 mil estudantes, professores, pais e interessados por meio de seus programas de aprendizado. Em exibições e palestras, o número chega a 30 mil pessoas. O mais interessante é que o foco deles são regiões e comunidades com baixa renda. Em seu site, pode-se ver alguns dos vídeos produzidos.
Além das letras, na sociedade atual é preciso entender também as imagens.
A União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês) divulgou a lista das espécies mais ameaçadas de extinção. Surpresa: praticamente, 25% de todas as espécies de mamíferos correm risco de desaparecer da Terra. Em outras palavras, uma em quatro espécies estão ameaçadas. Reforço: uma em quatro.
A lista vermelha mostra que a população de mais da metade das espécies mamíferas está caindo, sendo a Ásia uma das principais localidades onde a ameaça é maior. O estudo cobriu cerca de 5.500 tipos de mamíferos, o que conclui que aproximadamente 1.140 estão a caminho do desaparecimento.
O principal motivo para a morte dos animais é a perda de seu habitat por causa de ação humana, incluindo o desflorestamento. E embora os números sejam alarmantes, os pesquisadores concluíram que eles estão abaixo da realidade, já que é complicado conseguir monitorar as espécies marinhas. Eles alertam que a proporção, então, pode chegar a uma em cada três espécies.
A caça, tão combatida por diversas organizações protetoras dos animais, é a segunda maior causa em ambiente terrestre. No mar, a grande causa do extermínio são as redes de pesca, que enroscam os animais, em parte das vezes, acidentalmente. Elas representam 79% das causas de mortes na água.
Somente para uma espécie as notícias são boas. O elefante africano saiu da lista de animais com alto perigo para ir a uma categoria, digamos, mais segura. E espera-se que, se for reduzida a devastação de seu habitat natural, o elefante possa sair de vez da ameaça.
Essa lista foi a que definiu as espécies mais ameaçadas de extinção de São Paulo, divulgada pela Secretaria do Meio Ambiente.
“(...) quando surge um novo meio de produção de linguagem e de comunicação, observa-se uma interessante transição: primeiro o novo meio provoca um impacto sobre as formas e meios mais antigos. Num segundo momento, o meio e as linguagens que podem nascer dentro dele são tomados pelos artistas como objeto de experimentação.” A pesquisadora Lucia Santaella, no livro “Cultura e Artes do Pós-humano, cita Eduardo Kac para descrever a experimentação da arte como algo de vanguarda para a sociedade.
É por meio da arte que se descobrem novas formas de se olhar para um determinado meio – ou assunto. É por causa disso que dois museus se associaram à organização internacional de conservação Rare para levar oito artistas renomados a oito localidades com as biodiversidades ameaçadas segundo a UNESCO.
O projeto Human/Nature (Humano/Natureza, em tradução literal, ou Natureza/Humana, se for brincar com o significado da expressão) levou esses artistas para algumas localidades do mundo para que eles possam mostrar por meio de suas obras a riqueza ambiental que está ameaçada. “Can art inspire conservation? Can conservation inspire art?” (A arte pode inspirar a conservação? A conservação pode inspirar a arte?) é o que questiona o site do projeto.
Mark Dion, Ann Hamilton, Iñigo Manglano-Ovalle, Marcos Ramírez ERRE, Rigo 23, Dario Robleto, Diana Thater, and Xu Bing foram para Brasil, México, África do Sul, Equador, Indonésia, Kenia, China e EUA e Canadá para, com seus olhares, demonstrar o que poderia se perder caso algo não seja mudado em nossa forma de encarar o mundo.
Rigo 23, por exemplo, veio para a cidade de Cananéia, em São Paulo, para entender como viviam algumas comunidades locais, como a Pindoty, de índios guaranis; Quilombola, mais presente em Ivaporunduva e Sapatú; e a Caiçara, de Itacuruçá. Rigo visitou essas regiões em 2005 e voltou mais quatro vezes entre 2006 e 2008.
Lá, conseguiu formar laços com as comunidades e trabalhou colaborativamente para criar duas esculturas usando os materiais tradicionais da região. Juntos, eles construíram réplicas de armas de destruição de massa, como bombas e um submarino nuclear, e os tornaram em celebrações de vida em vez de de morte. A idéia é mostrar que o mundo desenvolvido acaba com os recursos das nações mais pobres para manter um estilo de vida insustentável e, muitas vezes, destrutivo.
As obras criadas viraram exposição no Museu de Arte Contemporânea de São Francisco (EUA) e ficará no Museu de Arte de Berkeley (EUA) de fevereiro a junho de 2009.